sexta-feira, 26 de junho de 2009

A BRINCADEIRA COMO FORÇA MOTRIZ NA FORMAÇÃO GLOBAL DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Até a pouco tempo, durante o período de estudo do curso de Pedagogia, eu não tinha lido nada sobre Psicomotricidade. Quando isso aconteceu fiquei encantada com os temas relacionados à psicomotricidade; e a formação geral da criança através das brincadeiras foi um dos temas que mais me chamou a atenção. E quanto mais eu leio me convenço da importância das brincadeiras para a formação geral da criança.


Ao ler temas como esse é possível que cresça em nós uma sensibilidade maior para perceber que o brincar para a criança é um ato muito sério, e que precisamos desenvolver ações pedagógicas que facilitem a aquisição de novos conhecimentos e habilidade da criança levando em consideração a sua potencialidade neste processo . No momento da brincadeira a criança vai aprender conceitos tendo como referência o próprio corpo. Quando, nas brincadeiras, ela precisa ficar na frente ou atrás, do lado esquerdo ou do lado direito do colega ou quando está dançando entre outras ações que fazem com que ela aprenda. Daí a importância do desenvolvimento no espaço escolar de ações pedagógicas que facilitem a aquisição das habilidades e de conhecimento da criança.


O brincar livre da criança permite ao educador diagnosticar seu estágio de desenvolvimento, seus desejos, suas necessidades. No entanto a brincadeira durante um longo período no espaço escolar foi negligenciada. Para muitos ela era um mero passatempo para a criança, sem nenhum aproveitamento, não se pensava na brincadeira como elemento de apoio na formação global da criança. Hoje, a brincadeira é tida como possibilidade para novas aprendizagens, onde a criança, ao brincar, aprende a resolver algumas situações novas para elas.


Assim, falar sobre esta temática significa buscar entender como a escola esta trabalhando a questão do brincar como estratégia para a aquisições de habilidades das crianças nas ações pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil. E se esse espaço proporciona condições para a criança se desenvolver de maneira autônoma.

A brincadeira na infância é essencial para a formação do ser humano. Na brincadeira o corpo é utilizado como principal instrumento psicomotor. Na hora em que esta brincando os movimentos da criança deixa de ser um ato mecânico que se refugia na utilização de gestos convencionais indicados pela professora, e passa a ter toda uma espontaneidade. É nessa hora em que a criança desenvolve o seu modo pessoal de agir diante de deferentes tipos de situações que lhe é apresentada.

No momento das brincadeiras a criança além de se divertir ela também desenvolve a capacidade de criar, interpretar, e de se relacionar com as coisas e as pessoas que estão ao seu redor.

Ao brincar a criança utiliza o próprio corpo como principal meio de interação e comunicação com as outras pessoas. Dessa maneira ela vai desenvolvendo a sua personalidade e os aspectos cognitivos e motores.

Através da brincadeira, a criança pode desenvolver a imaginação, a confiança, a auto-estima e a cooperação, o modo como a criança brinca pode revelar a sua personalidade. No momento em que a criança está brincando é possível um adulto perceber nela traços de liderança, solidariedade, autoritário e etc.. Na interação da criança com outras crianças, ela vai formando a sua personalidade, mas para isso é necessário que se dêem condição. Os adultos devem promover situações de acordo com a necessidade da criança, estimulando e oportunizando situações que ajude no desenvolvimento integral, através de atividades lúdicas.


Sabendo da importância do brincar, então por que as brincadeiras da criança na Educação Infantil são negligenciadas pelos professore uma vez que é um dos principais elementos para que o seu desenvolvimento global aconteça.


O brincar é um dos fatores de grande relevância no desenvolvimento geral da criança. As brincadeiras e os jogos ajudam na formação do seu esquema corporal. Quando uma criança tem a oportunidade de brincar. Certamente vai ter um desenvolvimento muito mais rico com experiências muito mais significativas para a sua formação psicomotora, intelectual e social. Pois o esquema corporal se organiza pela experiência do uso do próprio corpo.


Sem perceber a criança organiza seu esquema corporal desde o nascimento, a partir das experiências do próprio corpo. Desde muito pequena ela tem uma necessidade muito grande de se movimentar. A brincadeira estimula o desenvolvimento nas áreas como a da motricidade, da cognição, da afetividade e da linguagem. Toda a aprendizagem que o brincar permite é fundamental para a formação da criança, em todas as etapas da sua vida. Brincando ela aprende novos conceitos, adquire informações importantes para um crescimento saudável.


Ao brincar a criança tem o próprio corpo como ponto de referência para interagir com ela mesma, com o mundo e com os outros, e com nessa interação ela vai aprender conceitos que fazem parte da sua estrutura espacial. Quando ela precisar ficar do lado, na frente ou atrás do colega no momento em que estar brincando. Automaticamente ela está aprendendo esses conceitos além aprender a se situa melhor no mundo que a rodeia. A estrutura espacial não nasce com a criança, ela é elaborada e construída mentalmente através dos movimentos em relação aos objetos em torno da própria criança.


Além da estrutura espacial ao brincar a criança desenvolve a estrutura temporal. As noções do corpo, do espaço e do tempo têm que estar intimamente ligadas ao movimento humano. A criança não sabe, mas o seu corpo coordena-se, movimenta-se continuamente dentro de um espaço determinado em função do tempo, em relação a um sistema de referência usado para orientar-la.


Os movimentos precisam ser vistos como base fundamental para o desenvolvimento da educação global da criança. E a educação psicomotora tem como objetivo trabalhar a potencialidade da criança de maneira espontânea.


Para Wallon é sempre a ação matriz que regula o aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais. Os exercícios psicomotores não devem usar movimentos mecânicos, é preciso que eles sejam elaborados para estimular as estruturas cognitivas e afetivas da criança.


O aprender e o brincar têm uma ligação muito estreita. É nas brincadeiras propostas pelo educador que as crianças vão aprender a respeitar as regras e se conscientizar dos papeis sociais, sempre que o educador propor um jogo, ele precisa ter em mente critério para o desenvolvimento, aprendizagem da criança.


Segundo As Leis de Diretrizes e Bases, Art. 29.

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.


É a partir da brincadeira que a criança da Educação Infantil vai poder desenvolver as suas potencialidades, provocando com isso o funcionamento do pensamento, ao brincar a criança usar o próprio corpo como instrumento de aprendizagem, pois é através dele que a primeira noção do mundo é formada.


É importante que a criança possa brincar sozinha e em grupo, preferencialmente com crianças de idade próximas. Desse modo ela tem possibilidade de aprende conceito pertinente a sua idade, também de ampliar a consciência de si mesma, e do outro.

Através da brincadeira, a criança pode desenvolver a imaginação, a confiança, a auto-estima e a cooperação, o modo como a criança brinca pode revelar a sua personalidade. No momento em que a criança está brincando é possível um adulto perceber nela traços de liderança, solidariedade, autoritário e etc..


Para separar o significado da ação real, a criança tem que ter a oportunidade de fazê-lo e isso só é possível através da brincadeira. Assim, o agir em uma situação imaginaria ensina a criança a dirigir o comportamento pelo significado dessa situação. Se, em primeiro momento, a acão exercia um predomínio sobre o significado, na situação imaginaria, o significado dirige a ação. Isto mostra que a criança já esta estabelecendo conceitos. (MALUF, p.48, 2004.)


Hoje a brincadeira é usada como possibilidade para novas aprendizagens a criança ao brincar aprende a resolver algumas situações novas para elas. Apesar da intencionalidade ela não deixa de ser uma brincadeira. Mas seria muito bom que as crianças tivessem a possibilidade de brincar sem compromisso, de está adquirindo algum tipo de habilidade.


Toda e qualquer aprendizagem é vivenciada, registrada, guardada e memorizada pelo corpo. É com esta memória corporal que a criança continua aprendendo coisas novas. Novas aprendizagens vão sendo conquistadas e memorizadas pelo corpo através dos sentidos, percepções e relações que se estabelecem todo o tempo, e que vão se integrando, interagindo com aprendizagens anteriores e criando novas aprendizagens, construindo conhecimentos.


As atividades lúdicas é um momento espontâneo na qual a criança busca o seu prazer na maneira mais simples que ela poder. A brincadeira da escola é cheia de intencionalidade, e por isso ela está sempre ligada a aquisição de habilidades. Portanto, cabe à escola e a nós educadores está buscando fonte de prazer na ludicidade infantil dos nossos alunos.

Segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil, (RCNEI), brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação.

A diferenciação de papéis se faz presente, sobretudo no faz-de-conta, quando as crianças brincam como se fossem o pai, a mãe, o filhinho, o médico, o paciente, os super heróis etc. imitando e recriando personagens observados ou imaginados nas suas vivências, a fantasia e a imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro.

A ludicidade é um assunto que tem conquistado espaço no panorama nacional, principalmente na educação infantil, por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permiti um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento.

A infância é a idade das brincadeiras. Acreditamos que por meio delas, a criança satisfaz em grande parte seus interesses, necessidades e desejos particulares, pois. Quando está brincando, a criança recria o mundo ao seu redor, refazendo os fatos para adequá-los a sua capacidade de assimilação

Os professores, aos poucos, estão se conscientizando da importância da brincadeira para a criança da Educação Infantil, e passaram, a buscar informações para enriquecer suas experiências, e para entender o brincar como elemento que auxilia na construção do aprendizado da criança.

Ao brincar a criança tem o próprio corpo como ponto de referência para interagir com ela mesma, com o mundo e com os outros, de forma a aprender os conceitos das coisa que estão ao seu redor. Automaticamente, então ela está aprendendo-as além de aprender a se situar melhor no mundo que a rodeia porque [...] “o corpo que age se estrutura e se situa num mundo organizado espaço temporal. Que é mensageiro de idéias e sentimentos, e que expressa o mundo fantasmático, o desejo e a personalidade global” (COBRAL, 2001p.15,) precisa de estímulo para que essas aprendizagens aconteçam.

A estrutura espacial que a criança precisa ter para lidar com o objeto e com o outro não nasce com ela, é elaborada e construída aos pouco através dos movimentos em relação aos objetos em torno da própria criança. Portanto os movimentos executado na hora em que está brincando precisaM ser vistoS como base fundamental para o desenvolvimento da educação global da criança. E a educação psicomotora tem como objetivo trabalhar o movimento e o pensamento da criança de modo que venha a estimular a sua potencialidade através da propria brincadeira.

Para que as crianças possam exercer sua capacidade de adquirir novas aprendizagens é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas escolas e o brincar é uma ótima estratégia para trabalhar novas aquisições a partir de experiências prazerosas e significativas para a criança, portanto,

[...] “as ações humanas, o movimento é a transição do potencial ao ativo, isto é, passar da capacidade à realização. É com efeito, o processo pelo qual o potencial se realiza, transformando-se em ativo. É do final desse processo de movimento que resulta o objeto pronto”. ( Hourdakis 2001p.87,).

A escola como espaço de socialização e produção de saberes, enfim, de aprendizagem, se consistiu como um local privilegiado para o desenvolvimento global da criança e a brincadeira contribui de maneira substancial, pois é através dos movimentos que a criança vai estrutura os aspecto motor. “O objetivo central da educação pelo movimento é contribuir ao desenvolvimento psicomotor da criança, de quem depende, ao mesmo tempo, a evolução de sua personalidade e o sucesso escolar.” (LE BOULCH, 1987). O seja a criança aprende quando está brincando, pois os seus movimento nesse momento são pesarosos e significativos.

Para Le Boulch o movimento, a Psicocinética, propõe aos educadores meios práticos para utilizar o movimento a partir das brincadeiras como elemento que ajuda na educação global da criança. Assim o papel do educador não é o de administrar de modo direto, numa ordem determinada, o exercício (as brincadeira) que lhe sugerimos apenas a titulo de exemplos, mas, considerados os objetivos definidos e as adaptações relativas a idade, escolha aqueles que parecem melhor convir às necessidades infantis (LE BOUlCH 1988, p.54)


Referência:


HOURDAKIS, Antoine. Aristóteles e a Educação. Editora Loyola, São Paulo, 2001


CABRAL, Suzana Veloso. Psicomotricidade Relacional: Prática clinica e escolar. Ed. revinter LTDA . Rio de Janeiro, 2001


FONSECA, Vitor da. Manual de Observação Psicomotora: Significação Psiconeurologia dos Fatores Psicomotores. Ed. Artemed.


FRIEDMANN, Adriana. Arte de brincar. Brincadeiras e jogos tradicionais. Petrópolis Ed. Vozes 3ª edição, 2004


LE BOULCH. Educação psicomotora: A Psicocinética na idade escolar. Ed. Artmed, 2º edição, Porto Alegre1987.


MOYLES, Janet R. Só brincar? O papel do brincar na educação infantil. Ed.Art Med


MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. Ed. Vozes, 3ª edição, 2004.


OLIVEIRA, Gislene de campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num Enfoque Psicopedagógico. Ed. Vozes, 9º edição, Petrópolis 2004.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

RODRIGUES, Ivete Gama e Patrícia. Vamos brincar do quê? Um guia de jogos e brincadeiras para qualquer idade e ocasião. São Paulo, Ed. A Girafa, 2004.

MINAYO, Maria Cecília de Souza et al. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994. In:

http://www.google.com.br/search?q=%EF%81%B7%09Minayo+(1999)&sourceid=navclient-ff&ie=UTF-8&rlz=1B3GGGL_pt-BRBR267BR267

http://penta.ufrgs.br/~luis/Piaget/Glossario/Indice.htm

Referencial Curricular para a Educação Infantil,